16 de agosto de 2010

Páginas Avulsas - Letras de Alice

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Um bolero de Ravel de fundo acompanhava a cena.
Uma banheira com água fria. Já pela metade uma garrafa de vinho barato. E um violão abandonado.
A cena da mulher nua podia ser vista pela janela da sala aberta.
O vento balançava quase que no tom da música a cortina marrom.
Com os olhos fechados, Alice respirava sua solidão.
Mais um gole de vinho. Mais um cigarro. Mais um bolero.
Do outro lado da sala um espelho trincado, um baú e em cima dele um porta- retrato vazio.
Alice mergulhou.  Um mergulho de dor.
Saiu da banheira e caminhou até o espelho.
O cabelo molhado foi deixando rastro de água pelo carpete.
O caminho coberto de cacos de vidro marcou seus pés e fez um contraste com as unhas pintadas de preto.
No espelho ela conseguiu ver seu rosto marcado.
Mais uma lágrima.
A última daquela noite.
Refletido no espelho ao lado da banheira seu diário rasgado.
O vento espalhou pela sala as páginas arrancadas.
A única página que não estava amassada era aquela marcada com batom vermelho.

Letras de Alice: 
”Eu vi com meus olhos vivos.
E diante da imagem.
Eu gritei... Só me resta a vida inteira”.

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Páginas avulsas. O desabafo - Texto Bárbara Oliveira

9 de agosto de 2010

Eu quero uma casa no campo.




Fugir.
Era essa a palavra que ela falava.
Fugir da rotina. Do trânsito. Da poluição. Da monotonia. Das pessoas.
Ela queria se desligar.
Ela queria não ter compromissos.
Ela queria respirar ar puro.
Sonhou durante meses o mesmo sonho.
Um lugar verde, com cachoeira dourada e uma vista pro nada.
Levou pro seu sonho as pessoas que amava.

Água gelada. Vento frio. Barulho de cachoeira. Pés na poeira.
E um céu coberto de estrelas de pirimpimpim!
Acordou naquela manhã com uma sensação tranquila.
Ficou enrolando na cama, escutando o galo cantar no quintal.
Levantou e foi até a padaria do Zé comprar pão.
Preparou o café e colocou na xícara de cobre.
Fez ovos mexidos com bacon.
Tudo no maior silêncio e com toda a delicadeza.
Abriu uma fresquinha da janela.
O sol que entrou no quarto iluminou o rosto dele.
Ela fotografou aquela imagem.
Guardando na mente um momento que é só dela.
Com um beijo carinhoso no rosto e um cafuné nos cachinhos podados.
Disse: "Vem tomar café comigo meu amor."

Bárbara Oliveira -
Em Saudades da Lapinha
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15 de julho de 2010

Era uma vez....


Era uma vez um homem....
... Nele tinha todos os sentimentos belos reunidos. Amava a vida e as pessoas que ao lado dele vivia. Respeitava as pessoas. Era simples. Nunca se apegava as coisas materiais. Esse homem não tinha medo do trabalho, era um lutador, corria atrás de seus objetivos. Como perfeição não se enquadra em nenhum ser humano, e como esse homem, não é nenhum personagem de histórias, ele não era perfeito, afinal, era um ser humano de carne e osso, neste caso, mais carne do que osso. Sua origem era de uma família pequena mais unida. Que gostava de festas e sempre se reunia. Na sua infância, foi um moleque inocente, mais arteiro. A infância passou. Veio a juventude, fase adulta e com ela a responsabilidade, o trabalho e o compromisso. Esse homem era um brincalhão, ele era a diversão da família, porque dentro dele vivia uma eterna criança. Mas, infelizmente a vida lhe deu algumas rasteiras, e a criança que existia dentro dele adormeceu. E hoje, ficamos na torcida para que ela acorde. E faça alegria novamente.
Esse homem um dia encontrou o amor verdadeiro (uma morena linda que sempre passava na porta de seu trabalho). Ele ainda não sabia que no futuro, ela seria a sua esposa, sua companheira, mãe de seus filhos, a mulher que iria dividir sua vida.

Era uma vez uma mulher...
... Bela e meiga como uma flor. Frágil e forte como uma borboleta, que mesmo tão pequena e com asas tão frágeis, consegue voar e ir aonde quiser. Sonhadora, mas sempre com os pés no chão. Era dona de um lindo sorriso. A vida podia ser dura, mas ela conseguia ver o lado doce. Veio de uma família enorme, muito humilde, passara muitas dificuldades, mas sempre permanecera unida. Uma mãe severa e um pai amável. Talvez essa mistura seja o resultado do que se tornou essa mulher. Guerreira, batalhadora, às vezes, rancorosa, mas na maioria amável, doce e sempre bela. A vida também colocou barreiras no seu caminho. Passou por momentos pesados, que pensou que não iria superar. Mas essa mulher é de fibra e tem uma fé invejável.
A vida colocou no seu caminho um homem, um amor verdadeiro. Um homem que seria seu companheiro, pai de seus filhos, o homem que iria dividir sua vida.

Era uma vez uma família...
Duas pessoas que se amam se unem e assim constroem uma família. Dois filhos são frutos desse amor. A menina apegada no pai e que a cada dia se parece mais com a mãe. O menino apegado na mãe e que a cada dia se parece mais com o pai. Crianças felizes que tiveram a melhor infância possível. E hoje dois adultos, que já tomam suas decisões, e vivem a vida a sua maneira.
Como o tempo passa rápido. É isso que esse casal pensa.
Ontem mesmo viveram o delicioso momento do encontro. A paixão. A vontade de construir juntos. O casamento. A festa. A lua de mel. O primeiro apartamento. As dificuldades. As primeiras brigas. Crianças correndo pela casa. O sonho de ir pra capital. O sonho do carro zero. Sonhos, decepções, alegrias, conquistas...
Essa historia que acabei de contar é de uma família. Que nasceu do amor, que vive do amor e da união que é à base dessa família.

ElBA E GERALDINHO
Vocês vêem construindo essa história há 25 anos.
O dia é de vocês, mas o presente é meu.
Sou fruto desse amor.
Vocês são exemplos pra mim. E para muitos que nos cercam.
Que Deus continue iluminando nossa família.
Que nosso caminho seja repleto de flores, e se as flores vierem com espinhos, vamos retirar juntos, sempre de mãos dadas. Vamos enxergar na vida somente flores perfumadas, com cheiro de coisas boas.

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Bárbara Oliveira 06/07/2010

8 de julho de 2010

Convite MR. IMPRO

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Use a alma pelo lado de fora.

O mundo da improvisação.
Entre livre. Saia contaminado.
Concentração. Dedicação. Trabalho em equipe. Pensamento rápido. Criatividade. Expressão corporal. Corpo livre. Mente aberta. Escuta. Livre de preconceitos. Disposto ao erro. Exposto à avaliação.
Respeito. Cumplicidade. Piadas. Sorrisos. Amizade.
Experiência. Inusitado. Imaginação. Diversão.
Aprender. Ensinar. Expressar.

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Convido todos para o espetáculo de improvisação da oficina que fiz no 1º
semestre com a Companhia UMA.
Mr. Impro. Um formato diferente de todos os espetáculo que já fiz. A platéia
faz parte do espetáculo e a adrenalina que nós atores/improvisadores
sentimos no palco é indescritivél.
Umas das experiências mais bacanas que tive no teatro até hoje. Estou
viciada em IMPROVISAR!
E tenho certeza que a magia da improvisação vai contagiar todos vocês.
Aguardo todos!

Flores*

25 de junho de 2010

O que eu vou ser quando crescer.

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O pai está na sala de jantar.
Em cima da mesa pastas pretas, calculadora, documentos, papéis e mais papéis.
O menino chega euforico e fala entusiasmado:
- Pai, descobri o que eu vou ser quando crescer!
O pai concentrado nos papéis, responde seco:
- Você já me disse isso filho.
Continua a frase sem olhar para o filho:
- Vai ser astronauta.
O menino responde com firmeza:
- Não pai. Não quero ser mais astronauta. Decidi que vou ser ator.
Esperando uma resposta do pai.
Silêncio.
Continua o menino:
- Vou ser ator. Porque assim vou poder ser todas as profissões do mundo!

Relato do pai de Rafael (Aluno do Teatro I no Palácio das Artes).

7 de junho de 2010

Palácio das Artes

 Fotos Danilo Curtiss
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 Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!


Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
Criando conceito pra tudo que restou?



Velhinhos são crianças nascidas faz tempo!


Descobri que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência!



Teatro Mágico - Eu não sei na verdade quem eu sou.